Produtos do cerrado de Minas Gerais

Um projeto realizado pela Fundação de Educação para o Trabalho de Minas Gerais (Utramig), em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene), está dando continuidade as iniciativas sociais que contribuem como os moradores do Cerrado em todo o estado.

cajuzinho do cerrado

cajuí

Por meio da instalação de unidades produtivas em diversos municípios na região Norte e da capacitação das comunidades locais para a exploração sustentável de espécies vegetais nativas do Cerrado, o projeto promove desenvolvimento e incremento da renda local, além de trazer impactos positivos na conservação da biodiversidade.

A última unidade produtiva foi recentemente implantada no município de São Francisco e hoje produz trufas, sorvetes e polpas com frutos do Cerrado, como explica o morador da cidade e presidente da Associação Comunitária Viver e Servir – que está à frente da gestão da agroindústria -, com o processamento do baru, maracujá do mato, umbu, tamarindo e pequi.

baru

baru

A associação local, que existe desde 2008, funcionava em locais provisórios e trabalhava apenas com o fornecimento de hortaliças para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Barra de cereal

Outro produto que vem sendo produzido na agroindústria é a barrinha de cereal feita com o baru e o buriti. As polpas de frutas, que por enquanto são o carro-chefe da unidade, estão sendo compradas pelas escolas do município. Já as trufas de chocolate conquistaram o paladar da comunidade local, e não ficam paradas em estoque.

O projeto envolve 2.680 famílias na região Norte do estado. A Utramig é responsável pela capacitação dos moradores para atuação nas unidades produtivas, a Epamig pelas pesquisas envolvendo os frutos e pelo diagnóstico socioambiental, e o Idene pela implantação e manutenção das agroindústrias. “É um trabalho sustentável, que traz mais renda para estas comunidades e mantém nossas florestas e rios”, destaca.

A agroindústria de são Francisco já tem Alvará de Funcionamento Sanitário Municipal, e agora busca o Alvará Federal, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além de São Francisco, outros nove municípios já receberam as unidades produtivas: Arinos, Bonfinópolis de Minas, Chapada Gaúcha, Januária, Jatobá, Lontra, Mirabela, Montes Claros e Riachinho. Brasília de Minas e Coração de Jesus serão os próximos a receber o projeto.

Hoje, as agroindústrias trabalham, no total, com 300 espécies do Cerrado. Cada unidade tem atividades que apresentam maior potencial local, de acordo com a vegetação presente. Em Mirabela, por exemplo, a unidade realiza o beneficiamento da macaúba, palmeira nativa do Cerrado, cujo óleo é utilizado na fabricação do biodiesel.

“Há seis meses começamos uma parceria com a Petrobras, que compra este óleo. São produzidos 30 mil litros por mês em Mirabela”, comemora Madeira.

Além do óleo, a unidade produtiva local produz, com o resíduo do coco da macaúba, uma ração com alto valor proteico para alimentação de pequenos animais, como galinhas caipiras e suínos, e também sabão em pó, em barra e o sabonete do coco macaúba.

Produto para exportação

Antes da instalação das unidades produtivas, é realizado um extenso trabalho de diagnóstico e bioprospecção das plantas medicinais e frutos do Cerrado. Em São Francisco, os estudos mostraram o potencial de venda da fava d’anta, árvore que possui a substância rutina, utilizada pela indústria farmacêutica para a produção de medicamentos que melhoram a circulação sanguínea.

“Ocorria o extrativismo da planta de forma inadequada, com degradação do Cerrado e sub valorização do fruto, do qual é retirado o extrato. Mudamos a forma de manejo e capacitamos os extrativistas, para que eles vissem que a extração de forma sustentável renderia muito mais frutos e retorno para a região”, defende o coordenador do projeto na Utramig, Fernando Madeira.

O quilo da fava d’anta, antes vendido a R$ 0,10, hoje vale R$ 1,38. A quantidade extraída, por sua vez, aumentou cerca de seis vezes, e a produção é toda vendida para três empresas, sendo uma nacional, uma alemã e outra francesa.

O projeto está transformando nossa realidade, tenho certeza que vai trazer uma mudança muito grande. Esse tipo de pesquisa também abre nossos olhos para valorizar o que temos aqui, sem contar a quantidade de atividades novas que temos. Trabalho tem para o ano todo.

Baseado na reportagem da

http://www.agenciaminas.mg.gov.br/

Um pouquinho do cerrado

O Cerrado brasileiro era desconhecido e pouco explorado há trinta anos. Estando presente em 13 Estados brasileiros e no Distrito Federal. É o segundo maior bioma brasileiro, tendo a maior biodiversidade da América do Sul, superado apenas pela Amazônia.

Como se não bastasse, no cerrado encontram–se nascentes de cinco grandes bacias hidrográficas brasileiras: Amazônica, Tocantins-Araguaia, Atlântico Norte-Nordeste, São Francisco, Atlântico-Leste e Paraná-Paraguai. Na Estação Ecológica de Águas Emendadas, situada no Distrito Federal, dá-se o encontro da bacia do Tocantins-Araguaia com a do Paraná-Paraguai, duas grandes bacias hidrográficas da América Latina. Todo este rico Patrimônio é recurso natural.

mapa do cerrado brasileiro

O processo de ocupação do Brasil central, no século XVII, foi o interesse por ouro e pedras preciosas. Pequenos povoados, de importância inexpressiva, foram sendo formados na região que vai de Cuiabá a oeste do triângulo mineiro, e ao norte da região dos cerrados, nos estados de Tocantins e Maranhão. Contudo, foi somente a partir da década de 50, com o surgimento de Brasília e de uma política de expansão agrícola, por parte do Governo Federal, que iniciou uma acelerada e desordenada ocupação da região do cerrado, baseada em um modelo de exploração feita de forma fundamentalmente extrativista e predatória. A explosão agrícola sobre o cerrado deparou-se com uma região de solos com baixos teores nutricionais e ácidos. Estes, na maioria dos casos, não submetidos a qualquer trato cultural e ainda expostos a ciclos periódicos de queimadas, em poucos anos tornavam-se inviáveis para a produção a nível comercial. Esta situação iniciava um processo migratório das lavouras em busca de novas áreas de plantio. Comportamentos como estes podem ainda ser observados entre os pequenos produtores na região do cerrado. O desmatamento, para a retirada de madeira e produção de carvão vegetal, foi, e ainda são atividades que antecederam e “viabilizaram” a ocupação agropecuária do cerrado. Juntamente com o aumento das atividades agropastoris, o acelerado ritmo do processo de urbanização na região, no período de 1970-1991 houve um incremento demográfico de 93% na região dos cerrado, também tem contribuído para o aumento da pressão sobre as áreas ainda não ocupadas do cerrado. Estima-se que atualmente cerca de 45% da área do cerrado já perderam a cobertura original, dando lugar a diferentes paisagens antrópicas.

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foto arquivo do blog cerradania

O cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade com a presença de diversos ecossistemas, riquíssima na flora com mais de 10.000 espécies de plantas, como a aroeira, o buriti, a peroba, o pau-de-tucano e o pequi. Mais de 233 espécies de orquídeas florescem apenas no Distrito federal.

Extensos chapadões, cobertos por uma vegetação de pequenas árvores retorcidas, dispersas em meio a um tapete de gramíneas – o cerrado. Durante os meses quentes de verão, quando as chuvas se concentram e os dias são mais longos, tudo ali é muito verde. No inverno, ao contrário, o capim amarelece e seca; quase todas as árvores e arbustos, por sua vez, trocam à folhagem por outra totalmente nova. Mas não o fazem todos os indivíduos a um só tempo, como nas caatingas nordestinas. Enquanto algum ainda mantém suas folhas verdes, outros já as apresentam amarelas ou pardas, e outros já se despiram totalmente delas. Assim, o cerrado não se comporta como uma vegetação caducifólia, embora cada um de seus indivíduos arbóreos e arbustivos o sejam, porém independentemente uns dos outros. Mesmo no auge da seca, o cerrado apresenta algum verde no seu estrato arbóreo – arbustivo. Suas espécies lenhosas são caducifólias, mas a vegetação como um todo não.Com uma extensão de mais de 8,5 milhões de km2, distribuídos por latitudes que vão desde aproximadamente 5º N até quase 34º S, o espaço geográfico brasileiro apresenta uma grande diversidade de clima, de fisiografia, de solo, de vegetação e de fauna. Sem dúvida, a existência daquela grande diversidade de condições ambientais, as quais criaram isolamentos geográficos e/ou ecológicos possibilitaram assim o surgimento de taxa distinto ao longo da evolução. Assim, no espaço do Domínio do Cerrado, nem tudo que ali se encontra é Bioma de Cerrado. Veredas, Matas Galeria, Matas Mesófilas de Interflúvios são alguns exemplos de representantes de outros tipos de Bioma, distintos do Cerrado, que ocorrem em meio àquele mesmo espaço. O Cerrado apresenta-se como um mosaico de formas fisionômicas, ora manifestando-se como campo sujo, ora como cerradão, ora como campo cerrado, ora como cerrado senso stricto ou campo limpo. Quando percorremos áreas de cerrado, em poucos km podemos encontrar todas estas diferentes fisionomias.

O clima predominante no domínio do Cerrado é o Tropical sazonal, de inverno seco. A temperatura média anual fica em torno de 22-23ºC, sendo que as médias mensais apresentam pequena estacionalidade. As máximas absolutas mensais não variam muito ao longo dos meses do ano, podendo chegar a mais de 40ºC. Já as mínimas absolutas mensais variam bastante, atingindo valores próximos ou até abaixo de zero, nos meses de maio, junho e julho.

A radiação solar no domínio do Cerrado é geralmente bastante intensa, podendo reduzir-se devido à alta nebulosidade, nos meses excessivamente chuvosos do verão. Por esta possível razão, em certos anos, outubro costuma ser mais quente do que dezembro ou janeiro. Como o inverno é seco, quase sem nuvens, e as latitudes são relativamente pequenas, a radiação solar nesta época também é intensa, aquecendo bem as horas do meio do dia.

Trecho do livro: Alumeia e ói pros encantamentos dos cerratenses ( do autor)

Era uma vez…

veredas do parque nacional

foto arquivo cerradania

A equipe de Educação Ambiental do Instituto Brasilia Ambiental realiza em grande estilo o dia 21 de setembro que é o Dia da Árvore e para celebrar essa data especial com o lançamento do Cartaz: Árvores do Cerrado, da coleção – Eu amo Cerrado. O cartaz ilustra 12 espécies de árvores tombadas como patrimônio ecológico do Distrito Federal. Durante o evento, o Instituto também realizará contação das histórias A Árvore Generosa, com Aline Barreto, e O Buriti de Brasília, com Mariana dos Anjos. Participe!

 Dia: 21 de setembro, quarta-feira

Local: Planetário de Brasília

Horário: 11 horas

baseado na reportagem do http://www.ibram.df.gov.br/noticias/item/2854-convite-comemora%C3%A7%C3%A3o-do-dia-da-%C3%A1rvore.html

 

Territórios tradicionais no cerrado

‘As relações que esses grupos estabelecem com as terras tradicionalmente ocupadas e seus recursos naturais fazem com que esses lugares sejam mais do que terras, ou simples bens econômicos. Sugerem a qualificação de território que implica em dimensões simbólicas.

No território estão impressos os acontecimentos ou fatos históricos que mantêm viva a memória do grupo; nele estão enterrados os ancestrais e encontram-se os sítios sagrados; determina o modo de vida e a visão de homem e de mundo; o território é também apreendido e vivenciado a partir dos sistemas de conhecimento locais, ou seja, não há povo ou comunidade tradicional que não conheça profundamente seu território.

quilombolas

Quilombolas  Kalungas

Com frequência, os territórios de povos e comunidades tradicionais ultrapassam as divisões político-administrativas (municípios, estados). Um território tradicional pode, assim, encontrar-se na confluência de dois, três ou mais municípios, estados ou mesmo países. Portanto, nesse contexto, é preciso considerar e respeitar a distribuição demográfica tradicional desses povos, quaisquer que sejam as unidades geopolíticas definidas pelo Estado.

Do ponto de vista histórico, cabe ressaltar que esses povos e comunidades são marcados pela exclusão não somente por fatores étnico-raciais, mas, sobretudo, pela impossibilidade de acessar as terras por eles tradicionalmente ocupadas, em grande medida usurpadas por grileiros, fazendeiros, empresas, interesses desenvolvimentistas ou até pelo próprio Estado.

Cabe ressaltar que, desde a promulgação da Lei n.º 601, de 18 de setembro de 1850, a Lei de Terras, que estabelece a necessidade de registro cartorial e de documento de compra e venda para configurar dominialidade, se instaurou uma diferença no acesso e manutenção da terra por comunitários no meio rural. A Constituição Federal de 1891 transferiu para os estados as ditas terras devolutas, sobre as quais até então não havia sido reclamada a propriedade, reconhecendo o “direito de compra preferencial” pelos posseiros.

Desde então houve um amplo processo de invasão das posses de comunitários e comunidades, que, sem leitura e conhecimento das leis, sem recursos para pagar os serviços de medição das terras e registro em cartório, se viram em desvantagem em relação aos cidadãos letrados, que conheciam o sistema instaurado e tinham várias alianças. A presença de jagunços, advogados, e até agentes do Estado para defender interesses dessas classes mais abastadas ilustram a desigualdade na correlação de forças entre invasores e povos e comunidades tradicionais.

Hoje, tais formas de expropriação de terras, territórios e direitos abrangem interesses do agronegócio, processos de exploração minerária, criação de unidades de proteção integral sobre territórios tradicionais, construção de hidrelétricas e outras obras e empreendimentos.

São considerados “povos e comunidades tradicionais” no Brasil e no cerrado, os povos indígenas, as comunidades remanescentes de quilombos, os pescadores artesanais, os ribeirinhos, os povos ciganos, os povos de terreiro, os pantaneiros (do pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense), os faxinalenses do Paraná e região (que consorciam o plantio da erva-mate com a suinocultura e com o extrativismo do pião a partir do uso comum do território), as comunidades de fundos de pasto da Bahia (que praticam a caprinocultura em territórios de uso comum), os caiçaras (pescadores artesanais marítimos dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, que consorciam a pesca artesanal e extrativismo em áreas comuns com o cultivo), os geraizeiros (que exercem ocupação tradicional dos gerais ou cerrado), os apanhadores de flores sempre-vivas, vazanteiros, geraizeiros, veredeiros,as quebradeiras de coco, entre outros.

Trecho do livro: Alumeia e óia pros enctamentos dos cerratenses ( do autor)

Semana do cerrado na Bahia

A realização da Semana do Cerrado no Oeste da Bahia surge a partir do contexto de intensa degradação deste bioma. Assim, sentido a necessidade de “dar voz” e “fazer ecoar” o “clamor” do Cerrado e do seu povo, as comunidades geraizeiras, entidades, organizações e movimentos sociais que atuam na região, tomaram a iniciativa de realizar a 1ª Semana do Cerrado envolvendo municípios na Bahia e no Norte de Minas, e teve sua culminância com a 1ª Romaria do Cerrado em Côcos, setembro/2014. Nesta Romaria foi entregue, de forma simbólica a um morador da comunidade de Riacho do Meio/Côcos, uma cruz de madeira, simbolizando o “calvário” dos povos Geraizeiros. Em setembro de 2015 foi realizada a 2ª Semana do Cerrado, que teve como objetivo o aprofundamento das reflexões entorno do Cerrado em um grande Seminário, com destaque para a criação do MATOPIBA. A culminância desta semana, assim como na 1ª semana, foi à realização da 2ª Romaria do Cerrado, onde o símbolo do “Calvário Geraizeiro” foi entregue a uma moradora da comunidade de Pedra Branca/Correntina, que tem como padroeiro São Francisco de Assis, “Santo da Ecologia Integral”.

veredas do vão 1

foto arquivo – cerradania- Veredas do Vão

As Semanas do Cerrado tem como objetivo a realização de visitas para levantamento de realidade; trocas de experiências; reuniões; palestras; celebrações nas comunidades, escolas e igrejas; audiências com órgãos públicos; seminários de formação e encaminhamentos; partilha de saberes e sabores nas comemorações culturais. Tais ações vão a cada ano dando ampla visibilidade aos problemas vividos pelo Cerrado e os seus povos, as Romarias do Cerrado, se somam a estas outras ações e por meio de rádios, faixas, panfletos e o “boca a boca” fazem com que milhares de pessoas se juntem entorno de um único objetivo a “Vida do Cerrado”.

A participação da sociedade civil junto aos organizadores destes eventos mostra o quanto este bioma é fundamental para nossas vidas. As vivências experimentadas, por meio da troca de saberes, trabalho voluntário, acolhimento solidário, integração de organizações e a exaltação a fé e a esperança como elementos fundamentais para a manutenção do “Cerrado em Pé” são elementos marcantes diante uma conjuntura hostil. Mantendo a tradição iniciada em Côcos em 2014, o “Calvário Geraizeiro”, que não é só dor e luto, mas inspiração à criatividade, à resistência, à luta e às ações na defesa do Cerrado fez a sua clausura durante um ano, junto a São Francisco de Assis na Pedra Branca, e agora é a hora de voltar às ruas, para como o “lenho da cruz” nos iluminar na construção de “Outro Mundo Possível”.

Impulsionados pela experiência das Semanas e Romarias do Cerrado realizadas anteriormente, e pela memória dos mártires da região, em especial a de Isaias Cândido de Souza, assassinado em Canápolis no dia 11 de setembro de 1983, que por uma triste coincidência é também o “Dia Nacional do Cerrado”, assim a 3ª Semana e Romaria do Cerrado será realizada em Canápolis-BA, entre os dias 02 a 10 de setembro de 2016. Este município, que já foi sinônimo de fartura com a cana de açúcar, a rapadura, os roçados, as veredas daí o nome Canápolis, por “conta de seus extensos canaviais”, hoje vive momentos de angústia por conta dos impactos socioambientais sobre os (as) Agricultores (as) Familiares, responsáveis pela economia do município. A grilagem, os desmatamentos, a escassez da água hoje assolam este povo sofrido, que com fé e esperança aceitou serem os condutores do “Calvário Geraizeiro”, e assim denunciar os desmandos do Agronegócio e anunciar que há outras formas de conviver com o “Cerrado em Pé” para que não tenhamos que viver “Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”.

O Cerrado é o bioma mais antigo do Brasil, pois a sua formação iniciou-se há cerca de 65 milhões de anos, sendo que a ocupação humana se dá há cerca de 10 mil anos antes do presente. Sua abrangência é de 192,8 milhões de hectares (22,65 % do território brasileiro), e está presente em 13 estados do Brasil, onde vivem aproximadamente 22 milhões de pessoas. Sua rica biodiversidade, com 14 fitofisionomias (microambientes), nos faz repensar que o correto seria chamar o que é Cerrado, no singular, de Cerrados, no plural. Nestas 14 fitofisionomias, estão 6.000 espécies de árvores, 837 espécies de aves, 195 espécies de mamíferos, 780 espécies de peixe e 113 espécies de anfíbios.

Por sua importância na produção de água, ao contribuir com as principais bacias hidrográficas brasileiras, o Cerrado é hoje conhecido como “Caixa D’água do Brasil” ou “Cumeeira da América do Sul”. Na Bahia, este bioma ocupa 21,4% da área do estado, que representa a área de recarga do Aquífero Urucuia, onde estão localizadas 03 bacias hidrográficas perenes: rio Carinhanha, rio Corrente e rio Grande seus afluentes e subafluentes, que segundo Hidrólogos da Agência Nacional de Águas-ANA, contribui em média com 30 % da vazão média natural em Sobradinho, alcançando valores entre 80 % e 90 % no período de estiagem, entre os meses de agosto e outubro.

Os dados recentes são “alarmantes”, visto o ritmo acelerado com que licenciamentos para desmatamentos e outorgas para a retirada de água estão se dando no Oeste da Bahia. Esta região fora incluída recentemente, em uma nova região geográfica brasileira, criada a partir dos interesses da expansão das fronteiras agrícolas junto aos estados do Maranhão, Tocantins e Piauí, consolidando o projeto denominado de MATOPIBA. Para o povo que vive e depende do Cerrado esta será a “Cartada final”, contra as áreas ainda preservadas, que são produtoras de água e mantenedoras da vida.

Alegres e confiantes, o povo organizado do Oeste da Bahia estará realizando a 3ª Semana e Romaria do Cerrado, com o tema “Cerrado em Pé: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”. Contamos com o envolvimentos de todos (as) durante o período de 02 a 09 de setembro de 2016 nas atividades da Semana do Cerrado, e a fim de conduzir pela 3ª vez o “Calvário Geraizeiro” às ruas que se façam presentes em Canápolis-BA no dia 10 de 2016. E que em sinal de esperança e fé possamos juntos dizer: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Vinde adoremos!”

Organização: Paróquia de Canápolis, STR de Canápolis, Paróquia de Cocos, Paróquia de Correntina, PJMP, Pastorais, EFAPA, ACEFARCA, CPT, Pastoral do Meio Ambiente, MAB, APSFVIVO, AATR-BA, AAVV, STR de Correntina, Coletivo de Fundo e Fechos de Pasto, RODA, Movimento de Mulheres, SINDTEC, STR de Santa Maria da Vitória, STR de Cocos, Irmãs Filhas de Fátima, Guardados de Hermes – Comunidades Rurais de Canápolis, Santana, Serra Dourada, Cocos, Coribe, Jaborandi, Correntina, Santa Maria da Vitória–BA.

Comissão Organizadora da 3ª Semana e Romaria do Cerrado.

 Mais informações: CPT Bahia: (71) 3328-4672 / 3329-5750

A VIRADA DO CERRADO 2016 está chegando..

. Esse é o maior evento socioambiental do DF e aproveitamos o período para celebrar uma data muito especial:

É ANIVERSÁRIO DO CERRATENSES – CENTRO DE EXCELÊNCIA DO CERRADO

A Virada do Cerrado começa nesta quarta-feira (7) e vai até o domingo (11).

Nossa celebração acontece a partir do dia 9, aqui mesmo, no Jardim Botânico de Brasília, e acompanha a Virada até domingo.

Fique por dentro do Cerratenses na Virada:

Dia 09
14h30 Fórum Aliança Cerrado – rede de parceiros que está pensando as políticas públicas para conservação, recuperação e uso sustentável do Cerrado.

Apresentação do Programa Piloto “Recupera Cerrado DF”

16h30 Coffe break

17h00 Assinatura do Decreto do Comitê Distrital da Reserva da Biosfera do Cerrado.

19h00 Abertura da exposição “Artistas pelo Cerrado”

20h00 Sarau Poético e Musical – poetas e músicos de Brasília cantando e celebrando o Cerrado – Banda Machetaria, Banda Passarinhos do Cerrado
Dia 10

13h30 Oficina Sensorial com Frutos do Cerrado

14h30 Cine Debate Slow Food – Sessão de cinema com a apresentação dos filmes “O Veneno está na mesa (2011)” e “Babaçu- Floresta da Vida”

16h00 Palestra da Nova Acrópole com o tema “O Simbolismo da Primavera”

Dia 11
10h00 Oficinas de artes plásticas para crianças e adultos

Acesse a página da Aliança Cerrado no Facebook e fique por dentro dos principais assuntos sobre o bioma.

Enviamos anexo o folder da programação.

Reportagem de Maria Carolina Santana.                                                                                                    Assessoria de Comunicação                                                                                                        Cerratenses – Centro de Excelência do Cerrado

 

Ampliação do Parque Nacionalda Chapada dos Veadeiros

O Parque Nacional foi criado em 1961 com uma área original de 625 mil hectares. À época chamado de Parque Nacional do Tocantis, ele teve seu tamanho reduzido a 171 mil hectares em 1972, quando mudou para seu nome para Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Seus atuais 65 mil hectares foram determinados em 1981, quando precisou abrir espaço para a construção da rodovia GO-239PARQUE NACIONAL CHAPADA DOS VEADEIROSEm 2001, foi declarado Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO), a 230 quilômetros de Brasília, pode ter seu território ampliado em quase quatro vezes, passando de 65 mil hectares (650 quilômetros quadrados) para 230 mil hectares (2.300 quilômetros quadrados). A tentativa de ampliação, iniciada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio, ligado ao Ministério do Meio Ambiente) em parceria com ONGs, depende do chancelamento da Casa Civil e da posterior assinatura da presidência da República para entrar em vigor.

“Se parar para pensar, um parque nacional de 65 mil hectares é pequeno, tendo em vista que o nosso objetivo é conservar um ecossistema inteiro. Aqui, temos espécies que não são vistas em outros lugares do mundo. Além disso, temos grandes mamíferos, como onças e lobos-guará, que dependem de grandes áreas para caçar. Eles não têm voz, então nós somos a voz desses animais”, ressalta Fernando Tatagiba, analista ambiental do ICMBio e chefe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. No Plano de Manejo da área protegida, o instituto contabilizou a ocorrência de 118 espécies de mamíferos (9 delas exclusivas do Cerrado), 312 espécies de aves, 140 tipos de répteis e anfíbios, 49 espécies de peixes e cerca de mil insetos diferentes.

 A Fundação Mais Cerrado, entidade que visa formar e estimular atividades que promovam a preservação e recuperação do bioma, iniciou uma campanha de mobilização. Ela circula uma petição pela internet para que a Casa Civil acelere o processo de assinatura da proposta e disponibiliza fotos temporárias para mobilização por meio dos perfis nas redes sociais (ao lado).

Biodiversidade do Cerrado piauiense ameaçada

Sem ter o reconhecimento como patrimônio nacional e uma lei de uso sustentável, a vegetação nativa do Cerrado piauiense perde cada vez mais espaço.                                              Esse cenário afeta não só a biodiversidade, como também os povos e comunidades tradicionais que vivem na região. Boa parte de hectares da cobertura vegetal do Cerrado já foi perdida para o agronegócio, em sua maioria para as plantações de soja, cana, eucalipto, algodão e a pecuária extensiva.                                                                                                                   O Cerrado piauiense compreende mais de 11 milhões de hectares, sendo que 5 milhões são agricultáveis, distribuídos em 28 municípios, dos quais pouco mais de 20 cultivam soja, milho, arroz e algodão. São 70 mil quilômetros quadrados e população de pouco mais de 220 mil habitantes. São cerca de 420 produtores no Piauí, segundo dados do IBGE.                O professor-doutor em Geografia, Antônio Cardoso Façanha, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), realizou estudos na região e detectou a forte participação do capital privado no bioma.                                                                                                                                                        Ele salienta que a atividade, que retira toda vegetação natural, pode acarretar sérias implicações no futuro. E ressalta que a atividade de agroecologia pode passar por um processo migratório na produção de grãos e causar sérios impactos nos Cerrados piauienses.                                                                                                                                                  “Quando o produto soja ou grão não se tornar mais rentável no mercado consumidor no período de 20 a 30 décadas, nos preocupa, no sentido do que irá acontecer no território com a base natural retirada.

 

A recuperação dos recursos hídricos é alguma das consequências que podem ser irreversíveis. E se não houver uma política de controle de desmatamento, as gerações futuras podem sofrer graves consequências”, destacou.

mapa do agronegocio no cerrado piaui

Atividade de produção nos Cerrados é exógena
“O Cerrado piauiense possui uma ineficiência de controle do território por parte do Estado no sentido das políticas públicas. Existe um déficit na implantação dos equipamentos sociais para as cidades dos Cerrados e na desigualdade territorial em referência ao que se produz em tecnologia, já que as cidades da região não usufruem das riquezas geradas no campo”, destacou.

Nesse sentido, os conflitos gerados dos contrastes econômicos e sociais são cada vez maiores e comuns entre os excessivos lucros dos grandes empresários com a dificuldade de sobrevivência dos pequenos produtores.

“Rediscutir os instrumentos de gestão voltados para políticas públicas e desenvolvimento do território, pensar o território, seu ordenamento em suas constantes transformações são os meios adequados de garantir desenvolvimento com qualidade de vida à população”, diz o professor em seu texto publicado no livro “A Territorialidade do Capital”. (W.B.)

Exploração avançada gera impactos negativos
A agroecologia é importante para a economia do Brasil, mas é preciso considerar os aspectos ambientais e sociais da região, além de valorizar o modo de vida e a economia popular dos Cerrados.
O predomínio do interesse econômico sobre a conservação do meio ambiente provoca como consequência imediata a degradação ambiental, por meio da perda da camada de solo agrícola e a redução da população de diversas plantas e de animais.

baseado na reportagem do http://www.meionorte.com/noticias/biodiversidade-do-cerrado-piauiense-esta-sendo-ameacada

òia a travessia

Se então, não consigo expressar em palavras, pra te mostrar um pouquinho do que acontece e aconteceu no caminho do sertão, foi publicado um pequeno registro de apontamentos sugestivos…

Travessia de gente com respeito ao saber e na paixão do sertão, reverencia a joãozito, João Guimarães Rosa

Òia no ……………….

 

 

Representação social das frutas do cerrado

 

Frutas, doces, bolos e tantos outros alimentos guardam na vida social expressões simbólicas, traduzindo   sentimentos   sejam   de   alegria ou   mágoa, ou   expressando congratulações em ocasiões vividas pelo grupo familiar ou de amizade (CASCUDO, 2004). Uma citação se destaca em “Grande Sertão: ”, Guimarães Rosa pontuava e descrevia a relevância da fruta como suprimento: “Assim que a matlotagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais, ainda tinha araticum maduro no cerrado” (GUIMARÃES ROSA, 1994, p. 527).   Um marca social característica do Brasil Central  e  do  Sul  de  Minas Gerais  nas  regiões  de  cerrados guardam lembrança de cavaleiros que durante a Semana Santa – época da fruta madura – levavam  balaios  carregados de  marolo  que  eram  vendidos  em  ruas  e  em  praças.  Da fruta, se fazem geléias, sorvetes, doces, compotas, vinhos e licores.

frutasDestaque para o município de Paraguaçu (MG), onde o marolo é considerado  símbolo  e patrimônio  cultural  e  seus  habitantes  são  carinhosamente  chamados  de  “maroleiros”: O  “trabalhar  com  o marolo” segue tradição familiar e os conhecimentos são passados de geração a geração, com   toda   a   família   envolvida   da   colheita   até   a   comercialização   dos   produtos.

Resgatamos  a  história  e  o  valor  cultural  do  marolo, como  ele  é  resignificado  pelas pessoas  como  patrimônio  da  cidade,  e  ao  mesmo  tempo seu  caráter  socioeconômico para  famílias  de  baixa  renda.

Além da criação do bloco carnavalesco “Marolo”, anualmente acontecem eventos, como festivais musicais, feiras gastronômicas, mostras culturais, prêmios escolares de poesia, redação e teatro, todos no tema Marolo.  Nessa região, a fruta representa tradição, identidade e patrimônio cultural, faz interface com a religião na época da safra, renova sociabilidade na comercialização das frutas, e contribui para a manutenção do cerrado.

Guimarães transmite em oferendas diversos trechos dos valores das frutas do cerrado: “Pois, várias viagens, ele veio ao Curralinho, vender bois e mais outros negócios – e trazia para mim caixetas de doce de buriti ou de araticúm, requeijão e marmeladas.” Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas, pg. 115.

“O quanto em toda vereda em que se baixava, a gente saudava o buritizal e se bebia estável. Assim que a matlotagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais, ainda tinha araticúm maduro no cerrado.” Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas, pg. 372.

O buriti é uma espécie abundante no Cerrado e um indicativo infalível da existência de água na região. Como o Cerrado é rico em água, lá estão os buritis, emoldurando as veredas, riachos e cachoeiras, inseridos nos brejos e nascentes. A relação com a água não é à toa. Ao caírem nos riachos, os frutos de seus generosos cachos são transportados pela água, ajudando a dispersar a espécie em toda a região. Os frutos também servem de alimento para cutias, capivaras, antas e araras, que colaboram para disseminar as sementes.Embelezam a paisagem do Cerrado e são fonte de inspiração para a literatura, a poesia, a música e as artes visuais. Consumido tradicionalmente ao natural, seu fruto também pode ser transformado em doces, sucos, licores e sobremesas de paladar peculiares.

Imortalizada na obra de Guimarães Rosa, a pêra-do-campo, conhecida também como cabacinha-do-campo, é uma fruta grande (variando entre 60g e 90g), com casca fina e polpa suculenta de sabor doce azedinho, muito característico. Sua árvore é, na verdade, um arbusto que varia entre 0,5m e 1,5m de altura, e frutifica no verão, a partir de outubro. É normalmente consumida in natura, em geléias ou na célebre “limonada de pêra-do-campo”. Pode ser plantada em vaso e é essencial em projetos de recuperação do cerrado.

São diversas opções, Murici (Byrsonima crassifólia), Bacupari-do-Cerrado (Salacia elliptica), Cagaita (Eugenia dysenterica), Mama-cadela (Brosimum gaudichaudii), Pequi (Caryocar brasiliense), Baru (Dipteryx alata), Cereja-do-cerrado (Eugenia calycina), Mangaba (Hancornia speciosa), entre outras.

Na natureza – cerrado – tudo funciona na base da cooperação mútua, as frutas são de fundamental importância nesta cadeia de integração.

Baseao no Livro Frutas Brasileiras e Exóticas Cultivadas (Harri Lorenzi, Luis Bacher, Marco Lacerda e Sergio Sartori) e trecho do livro CERRADANIA: alumeia e óia pros encantamentos dos cerratenses (FMB).

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