Representação social das frutas do cerrado

 

Frutas, doces, bolos e tantos outros alimentos guardam na vida social expressões simbólicas, traduzindo   sentimentos   sejam   de   alegria ou   mágoa, ou   expressando congratulações em ocasiões vividas pelo grupo familiar ou de amizade (CASCUDO, 2004). Uma citação se destaca em “Grande Sertão: ”, Guimarães Rosa pontuava e descrevia a relevância da fruta como suprimento: “Assim que a matlotagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais, ainda tinha araticum maduro no cerrado” (GUIMARÃES ROSA, 1994, p. 527).   Um marca social característica do Brasil Central  e  do  Sul  de  Minas Gerais  nas  regiões  de  cerrados guardam lembrança de cavaleiros que durante a Semana Santa – época da fruta madura – levavam  balaios  carregados de  marolo  que  eram  vendidos  em  ruas  e  em  praças.  Da fruta, se fazem geléias, sorvetes, doces, compotas, vinhos e licores.

frutasDestaque para o município de Paraguaçu (MG), onde o marolo é considerado  símbolo  e patrimônio  cultural  e  seus  habitantes  são  carinhosamente  chamados  de  “maroleiros”: O  “trabalhar  com  o marolo” segue tradição familiar e os conhecimentos são passados de geração a geração, com   toda   a   família   envolvida   da   colheita   até   a   comercialização   dos   produtos.

Resgatamos  a  história  e  o  valor  cultural  do  marolo, como  ele  é  resignificado  pelas pessoas  como  patrimônio  da  cidade,  e  ao  mesmo  tempo seu  caráter  socioeconômico para  famílias  de  baixa  renda.

Além da criação do bloco carnavalesco “Marolo”, anualmente acontecem eventos, como festivais musicais, feiras gastronômicas, mostras culturais, prêmios escolares de poesia, redação e teatro, todos no tema Marolo.  Nessa região, a fruta representa tradição, identidade e patrimônio cultural, faz interface com a religião na época da safra, renova sociabilidade na comercialização das frutas, e contribui para a manutenção do cerrado.

Guimarães transmite em oferendas diversos trechos dos valores das frutas do cerrado: “Pois, várias viagens, ele veio ao Curralinho, vender bois e mais outros negócios – e trazia para mim caixetas de doce de buriti ou de araticúm, requeijão e marmeladas.” Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas, pg. 115.

“O quanto em toda vereda em que se baixava, a gente saudava o buritizal e se bebia estável. Assim que a matlotagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais, ainda tinha araticúm maduro no cerrado.” Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas, pg. 372.

O buriti é uma espécie abundante no Cerrado e um indicativo infalível da existência de água na região. Como o Cerrado é rico em água, lá estão os buritis, emoldurando as veredas, riachos e cachoeiras, inseridos nos brejos e nascentes. A relação com a água não é à toa. Ao caírem nos riachos, os frutos de seus generosos cachos são transportados pela água, ajudando a dispersar a espécie em toda a região. Os frutos também servem de alimento para cutias, capivaras, antas e araras, que colaboram para disseminar as sementes.Embelezam a paisagem do Cerrado e são fonte de inspiração para a literatura, a poesia, a música e as artes visuais. Consumido tradicionalmente ao natural, seu fruto também pode ser transformado em doces, sucos, licores e sobremesas de paladar peculiares.

Imortalizada na obra de Guimarães Rosa, a pêra-do-campo, conhecida também como cabacinha-do-campo, é uma fruta grande (variando entre 60g e 90g), com casca fina e polpa suculenta de sabor doce azedinho, muito característico. Sua árvore é, na verdade, um arbusto que varia entre 0,5m e 1,5m de altura, e frutifica no verão, a partir de outubro. É normalmente consumida in natura, em geléias ou na célebre “limonada de pêra-do-campo”. Pode ser plantada em vaso e é essencial em projetos de recuperação do cerrado.

São diversas opções, Murici (Byrsonima crassifólia), Bacupari-do-Cerrado (Salacia elliptica), Cagaita (Eugenia dysenterica), Mama-cadela (Brosimum gaudichaudii), Pequi (Caryocar brasiliense), Baru (Dipteryx alata), Cereja-do-cerrado (Eugenia calycina), Mangaba (Hancornia speciosa), entre outras.

Na natureza – cerrado – tudo funciona na base da cooperação mútua, as frutas são de fundamental importância nesta cadeia de integração.

Baseao no Livro Frutas Brasileiras e Exóticas Cultivadas (Harri Lorenzi, Luis Bacher, Marco Lacerda e Sergio Sartori) e trecho do livro CERRADANIA: alumeia e óia pros encantamentos dos cerratenses (FMB).

Cerrado de Tocantins

O Cerrado tocantinense é essencialmente rico por natureza, destaca-se pela pujança de sua biodiversidade, vasta extensão territorial, posição geográfica privilegiada e heterogeneidade vegetal. Os frutos das espécies nativas do cerrado oferecem um elevado valor nutricional, além de atrativos como cor, sabor e aroma peculiares e intensos, mas ainda são pouco explorados comercialmente. A Seagro Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento incentiva o consumo e o processamento de frutos nativos do cerrado.

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As possibilidades de aproveitamento dos frutos são várias. Os produtos têm grande aceitação popular e atualmente são comercializados em feiras. As espécies apresentam sabores com elevado teor de açúcar, proteínas, vitaminas e sais minerais. O aproveitamento pode ser em forma de sucos, licores, sorvetes, picolés, geléias, óleos, bolos, bombons, aperitivos. Das sementes são produzidas as biojóias. Existem mais de 58 espécies de frutas nativas conhecidas e consumidas pela população.

As vantagens protéicas dos frutos são inúmeras. Por exemplo, o araticum, o buriti, a cagaita e o pequi, apresentam vitaminas do complexo B, tais como as vitaminas B1, B2 e PP, equivalentes ou superiores aos encontrados em frutas como o abacate, a banana e a goiaba, tradicionalmente consideradas como boas fontes destas vitaminas. Entretanto, grande parte das frutas nativas em regiões típicas de clima tropical é, especialmente, rica em carotenóides. Os frutos de palmeiras, como o buriti, o tucumã, o dendê, a macaúba e a pupunha são fontes potenciais de carotenóides pró-vitamina A. O consumo de carotenóide ajuda no combate de vários tipos de câncer, funciona como antioxidante natural e protege as membranas celulares contra danos oxidativos.

Sustentabilidade

O aproveitamento destes frutos abre espaço para os produtores rurais no agronegócio. A meta da Seagro é buscar recursos que proporcionem geração de renda aliada à preservação da natureza. Segundo o diretor de Fruticultura e Silvicultura da Seagro, José Elias, o incentivo à produção de frutos nativos no Estado permite a geração de renda para milhares de produtores rurais. O potencial econômico e social dos frutos do cerrado é mais uma oportunidade para o produtor tocantinense, destacou.

Incentivos

Uma outra alternativa é o plantio de árvores nativas para a recuperação das pastagens degradadas. A Seagro implantou no Centro Agrotecnológico de Palmas viveiros de mudas. As principais espécies no Tocantins são: baru, pequi, babaçu, mangaba, cagaita, cupuaçu, buriti, araticum, jatobá-do-cerrado, jenipapo, macaúba, mutamba, murici, entre outras.

publicado pelo

http://governo-to.jusbrasil.com.br/noticias/199879/cerrado-tocantinense-oferece-variados-frutos-para-usos-alternativos

O cerrado tem jaracatiá

Planta originária do Brasil, o jaracatiá, mamãozinho ou, mamão bravo é batizado como Jaracatia spinosa, embora a árvore que encontrei não apresentasse espinhos. Pimentel Gomes, no livro Fruticultura Brasileira registra como Jaracatia dodecaphylla DC; e tem também o Carica quercifolia A. St.Hil. que virou Carica Vasconcella quercifolia. Pode ser encontrado em diversas formações florestais, de norte a sul, mas hoje é considerado um fruto em extinção.jaracatia                                                          Pode atingir 20 m na floresta, quando cultivada não ultrapassa ao 7 m de altura, tem copa rala e cônica. O tronco reto e cônico, com diâmetro de 50 cm a 90 cm e a casca é cinza esbranquiçado com acúleos ou espinhos pontiagudos.  O fruto é uma baga periforme (com forma de pêra alongada) com 10 cm de comprimento por4 cm a 6 cm de diâmetro, pesando de 8 a 30 gramas, com casca fina e amarelada ou alaranjada quando bem madura, com pericarpo (parede que envolve a semente) cremoso, denso e com suco leitoso, envolvendo muitas sementes marrons e pequenas.

Crescimento rápido, atingindo 2 metros de altura no primeiro ano de plantio no campo. A planta aprecia terrenos porosos e ricos em matéria orgânica, com pH entre 5,0 a 6,5, reage bem com boas regas no primeiro ano de plantio, resistindo bem a secas.

Começa a frutificar a partir do 3 ou 4 anos de plantio em terrenos férteis. Recomendo plantar pelo menos 3 arvores para que ocorra polinização cruzada e uma boa produção dos frutos que varia entre 100 a 800 frutos por planta.

Cultivar em pleno sol abrindo covas de 50 cm de altura, largura e profundidade num espaçamento de 5 x 5 m ou 6 x 6 m entre plantas. Misturar com os 30 cm de terra iniciais do solo 4 ou 5 pás de esterco bem curtido, + 500 gramas de calcário e 1 kg de cinza de madeira, deixando curtir por 2 meses.

A melhor época do plantio é de outubro a novembro e após o plantio.

Os frutos amadurecem de janeiro a março. Os frutos têm polpa amarelo alaranjada, lembram o sabor do maracujá e da manga, contem látex que queima caustico que queima a língua e os lábios de algumas pessoas sensíveis. Por isso colha os frutos totalmente amarelos e deixe-os chegar por 1 semana, assim o efeito caustico acaba. Outra forma deliciosa de comer os frutos é assar na brasa como os índios faziam. Também podem ser usados para fabricar sucos e doces. O tronco é usado para fazer um doce semelhante a cocada, e por isso a arvore está ficando mais rara pois as pessoas sacrificam a arvore para fazer o doce e nunca plantam nada.

Foram os índios os primeiros a serem seduzidos pelos frutos perfumados do jaracatiá. De cor de laranja vivo, formato alongado e do tamanho da palma da mão, esses “primos” do mamão podiam ser consumidos in natura mas, preferencialmente, eram comidos assados, moqueados. Parta um jaracatiá para entender a lógica: há uma seiva que brota, um tipo de látex, uma enzima chamada papaína, que “queima” a boca e irrita o estômago dos mais afoitos. (Um parêntese: essa substância esbranquiçada é ouro: muito usada na indústria alimentícia – como amaciante de carnes – e também na farmacêutica). Ao assá-los, o calor da brasa “cortava” a seiva, tornando o fruto mais agradável ao paladar.

Atenção: para fazer o doce, é preciso aplicar manejo correto da planta. A derrubada excessiva da planta, aliás, pode ter sido a causa para as quedas na oferta de caule e, assim, também, na produção dos doces, que hoje são pouco conhecidos. Atualmente, as doceiras costumam usar o interior de galhos mais grossos podados da planta, daí a árvore continua de pé. Ainda assim, a fabricação com esta matéria prima não é mais recomendada. 

A polpa bem alaranjada é cremosa, bem doce, enquanto as sementes (muitas e não poucas, como disse no outro post) são crocantes quase como as de maracujá, doces e cobertas por uma gominha viscosa como a do quiabo. Tudo isto na boca forma uma geléia texturizada de sabor maravilhoso que lembra uma combinação de frutos tropicais – goiaba, feijoa, araçá, maracujá. É muito perfumado e com sabor marcante, bem diferente do fruto na compota ou no sorvete, que perde grande parte destas características.

O fato é que o fruto tem um potencial gastronômico enorme.
Reportagem

http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2012/index?mode=sv&group=Root_.Angiospermas_&family=Root_.Angiospermas_.Caricaceae

 

Mato Grosso do cerrado

O Cerrado é a segunda maior formação vegetal brasileira e originalmente ocupava uma área de quase dois milhões de km², sendo que hoje ocupa cerca apenas 20% do total. Em Mato Grosso a área ocupada por este bioma é de aproximadamente 300 mil km², o equivalente a 34% do território estadual.

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Rafting no Rios das mortes- Primavera . Foto Sedtur MT

A primeira impressão é de uma paisagem agreste, com arvores curtas e retorcidas em terrenos aparentemente sem vida. No entanto, é neste bioma considerado um dos mais importantes do Brasil que brotam rios que dividem as três principais bacias hidrográficas do Brasil: Platina, Tocantins e Amazônica. Sua flora, com mais de 10 mil espécies destaca a beleza exótica e a riqueza medicinal.

Nesta vasta região encontram-se cavernas, grutas, corredeiras, cachoeiras e muitas trilhas, além de sítios arqueológicos. Toda esse potencial natural favorece os praticantes de esportes de aventura, com locais de imensa beleza e atrativos que convidam para um rafting, canoagem tirolesa, rapel, enfim, opções inúmeras que podem ser praticadas dentro do conceito de respeito a natureza e aos seres vivos que dela fazem parte.

Chapada dos Guimarães

O Parque Nacional de Chapada dos Guimarães é o cartão de visita do Cerrado mato-grossense, um museu a céu aberto que atrai cientistas, místicos e turistas de todas as partes do mundo. A seqüência de relevos esculpidos em arenito esconde muitos segredos e revela várias cachoeiras.

No percurso Cuiabá-Chapada, o visitante se depara com entradas para algumas atrações como: Cachoeira Véu de Noiva, Cachoeirinhas da Independência, das Andorinhas e do Pulo, entre outras. A estrada conduz ao Complexo Turístico da Salgadeira e ao Parque Nacional de Chapada, com seus 33 mil hectares.

Uma trilha leva ao Morro de São Jerônimo, ponto culminante da Chapada, com 836 metros de altitude. Tem ainda o Paredão do Eco, a Casa de Pedra, a Cidade de Pedra – uma galeria de estátuas das mais diversas formas, esculpidas pelo vento e erosão – e a Caverna Aroe Jari, mais conhecida por Caverna do Francês. Numa gruta, bem próxima à caverna, está a Lagoa Azul. Também nas proximidades da cidade está o Mirante, região onde se pode admirar a paisagem e contemplar esse vasto cerrado formado há milhões de anos e que encanta todos que aqui chegam.

Rota das águas termais – Vale do São Lourenço e Serra de São Vicente

Os principais pontos turísticos dessa rota estão entre as cidades de Jacira, Poxóreo, Juscimeira, Rondonópolis, Campo Verde e Primavera do Leste. No meio da Serra de São Vicente, próxima a Cuiabá, em um agradável clima de montanha está o balneário das Águas Quentes, lugar ideal para o descanso com completa infraestrutura, deliciosas piscinas térmicas com temperatura que varia até 42ºc.

Em Jaciara, o turista pode desfrutar de muitas cachoeiras e praticar esportes de aventura como rafting, rapel, canoagem. Um pouco mais ale, está Juscimeira, também com fontes termais com propriedades medicinais.

Em Rondonópolis, encontram-se cânions com veios de água que desembocam no rio Vermelho. A beleza cênica convida os amantes da canoagem a desafio de coragem e perícia pelas corredeiras.

A fusão de cachoeiras, sítios arqueológicos, cânions, complexos termais e vales fazem dessa região um polo do turismo de aventura de contemplação.

Rota das serras – Cuiabá e Tangará da Serra

Mais rios, grutas, serras e muita natureza. A região respira turismo. Em um trecho entre CuiabáBarra do Bugres eTangará da Serra encontramos a 110 km da capital de Mato Grosso, o complexo das serras das Araras, do Currupira e do Descalvado.

Em Tangará da Serra, há belos locais para prática de esportes de aventura como a cachoeira Salto das Nuves, o salto Maciel e a Mirante, de onde pode se apreciar a beleza do Chapadão dos Parecis.

Trecho do livro alumeia e óia pros encantamentos dos cerratenses (FMB)

 

Ao sul do Maranhão

O cerrado maranhense, no sul do Estado, proporciona uma viagem por uma das regiões mais bonitas do país, que encanta os visitantes com uma paisagem ao mesmo tempo inóspita e acolhedora.

Entre chapadas, cachoeiras e vales deslumbrantes, quem  viaja pela região vive uma aventura inesquecível. No local, os repórteres Sidney Pereira e Miguel Nery registraram um instante raro na natureza: o mais colorido dos urubus, que sumiu com a devastação das florestas em muitas regiões brasileiras, lá se reproduz em segurança no alto das chapadas e platôs.

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Cachoeira ao sul do Maranhão- foto de altier molin

A estação das águas deixou o cerrado maranhense ainda mais cheio de vida. E mais exuberante visto do alto. O voo do paramotor é suave nos céus do cerrado, e cheio de descobertas.

O cerrado maranhense é uma das regiões mais preservadas do país, onde a mata intocada protege nascentes e penhascos. E uma cadeia de montanhas se estende no infinito.
O verde denso impressiona e surpreende nas trilhas de quadriciclo. Cada uma das trilhas leva a um santuário diferente. Um mais bonito que o outro. Esta é uma das regiões com a maior diversidade de plantas e animais do país, bem no encontro entre a Amazônia brasileira e o cerrado nordestino.

A suavidade das cascatas e cachoeiras ameniza o calor no cerrado. No Vale do Farinha há um dos rios mais preservados da região. A Cachoeira da Prata e a Cachoeira de São Romão se revelam em um incrível contraste entre as rochas.

A natureza selvagem do cerrado, em alguns trechos, combina com delicados tons de azul no encanto das cavernas. Uma falha geológica há milhões de anos abriu uma fenda na rocha, e a água brota suave da arestas do rochedo. O encanto azul permite mergulhos com até sete metros de profundidade. A água é tão transparente, que a visibilidade chega a 40 metros.

Como não se encantar com o Lago Azul, em Riachão. “70% a 75% de nosso corpo é água. E o nosso planeta também. Em cima é bonito, imaginem embaixo d’água”..

Nas profundezas das cavernas, na suavidade das cascatas ou na imensidão dos vales. As savanas maranhenses seduzem com as cores e os sons de um planeta único.

baseado  na reportagem do http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia

Gastronomia do futuro pelo cerrado

A gastronomia está se tornando a mais nova fronteira de conservação do Cerrado brasileiro. De boca em boca, a notícia de que o bioma é um manancial de frutos, castanhas e polpas deliciosos chega a mercados importantes do Brasil e do exterior. Além de comprovadamente eficientes para a saúde, as iguarias do Cerrado podem ser adquiridas em comunidades tradicionais, extrativistas, indígenas e de pequenos agricultores.

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Veredas no cerrado mineiro com buritizal   

Ao comprar dessas comunidades, os consumidores ajudam a manter as famílias no campo produzindo alimentos que não agridem o corpo e nem o meio ambiente. De quebra, colaboram para preservar tradições culinárias, memórias culturais e a biodiversidade.

Receitas com produtos nativos são a última moda em restaurantes descolados adeptos da culinária sustentável. Além de emprestar sabor, cor e charme aos pratos, os produtos do Cerrado também podem entrar no cardápio das crianças nas escolas.

Espalhado pelos estados de Goias, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, parte de Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal, o Cerrado tem cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados. Segundo bioma mais ameaçado no Brasil, o Cerrado é um hotspot, ou seja, significa que a região possui altíssima diversidade de animais e plantas, muita delas endêmicas. À medida que as pesquisas avançam, o Cerrado revela novas espécies de animais e plantas.

Desde que o Brasil adotou a política de interiorização do desenvolvimento a partir da década de 1950, o Cerrado já perdeu mais da metade de sua cobertura vegetal.

Um dado importante é que com a valorização dos frutos do cerrado, os povos tradicionais do cerrado- cerratenses, poderiam beneficiar-se com a atividade, que permitiria a conservação das árvores produtoras destes frutos e não o seu abate, para dar origem a áreas de plantio de monoculturas. Outra visão das possibilidades permitiria a pequenos produtores uma alternativa de renda em suas propriedades através da venda desses produtos e com isso a preservação ambiental das árvores frutíferas que não serão mais arrancadas de seu habitat.

A desconhecida culinária do cerrado exige disposição e nenhum preconceito. Quem se arrisca, não se arrepende. Na área do cerrado,área que ocupa o Brasil central (Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, a região sul de Mato Grosso, o oeste e o norte de Minas Gerais, o oeste da Bahia e o Distrito Federal), a impressão é de que o estranhamento dos leigos sobre as frutas locais é ainda maior.

Quem já ouviu falar de pequi, sabe alguma coisa além de que, se mordido errado, ele é capaz de fazer um tapete de espinhos da sua língua à garganta? Pois é. O licor de pequi já é exportado para o Japão. A amêndoa do baru é objeto de desejo na Alemanha.

Hoje, há no Brasil correntes gastronômicas que visam a preservação deste ecossistema, priorizando a sua exploração sustentável, agredindo o mínimo possível a fauna e a flora.

O movimento Slow Food, por exemplo, é um deles. O princípio básico do movimento é o direito ao prazer da alimentação, utilizando produtos artesanais de qualidade especial, produzidos de forma que respeite tanto o meio ambiente quanto as pessoas responsáveis pela produção, os produtores.

No cerrado é possível encontrar os mais diversos produtos da terra, tais como: Pequi, murici, araticum, buriti, jatobá, baru, mangaba, gueroba e muitos outros.

Não se é possível compreender toda a sua e importante situação sem pesquisar e conquistar tanto as regiões que abrigam o Cerrado. Contudo, deve-se passar a ouvir os ribeirinhos e saber qual é o seu papel para a preservação deste ecossistema.

trecho do livro: alumeia e óia pros encantamentos dos cerratenses

Fragmentação do cerrado

Se somos o reflexo do que comemos, a Terra é a expressão de nossos hábitos alimentares. Ao longo dos últimos 10 mil anos, o homem vem transformando as paisagens naturais com as atividades de agricultura e pastoreio, moldando os ecossistemas. Digitais dessa dinâmica insustentável, as alterações feitas apenas nas últimas cinco décadas no Cerrado brasileiro impressionam e preocupam.bd8cc-capimdourado

Uma das áreas mais importantes para a conservação da biodiversidade do planeta, os cerrados cobriam originalmente cerca de 24% do território nacional. Mas isso mudou bastante. Segundo o Terraclass – sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que mapeia o uso da terra e da cobertura vegetal no bioma – cerca de metade desse território havia sido alterado até 2013, sendo que mais de 90% dessa transformação ocorrera em função da produção de alimentos, sobretudo carne e soja.

O avanço sobre as áreas naturais do Cerrado resultou num excepcional crescimento da produção agrícola no Brasil, a ponto de possibilitar que o país se torne em pouco tempo o maior produtor de alimentos do mundo, se continuar o mesmo ritmo. Os impactos positivos são bastante evidenciados, principalmente pelo setor que se orgulha de “puxar a economia nacional”.

Pouco se fala, porém, dos impactos negativos da expansão sobre o Cerrado. E não só para o Brasil. Uma das maiores estudiosas do bioma, a pesquisadora da Universidade de Brasília Mercedes Bustamante alerta que o Cerrado passa por um intenso processo de fragmentação que compromete importantes funções ecológicas.

Pense no ambiente natural como um grande organismo, sendo o bioma Cerrado um dos seus “órgãos vitais”. Uma das funções que o Cerrado desempenha no equilíbrio ecológico é justamente a manutenção do sistema hídrico do país. O Cerrado abriga as nascentes de três grandes bacias do continente sul-americano (Tocantins-Araguaia, Paraná-Prata e São Francisco).

Parece razoável, em termos econômicos, que o Brasil continue com o caminho de expansão da produção agrícola. Mas é preciso fugir da lógica da expansão territorial da agropecuária e passarmos para a intensificação ecológica. Para isso, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuárias (Embrapa) vem trabalhado com novos pacotes tecnológicos, como a integração lavoura-pecuária-floresta. O desafio é reverter a baixa produtividade das áreas consideradas degradadas – um pasto abandonado, por exemplo – e incorporá-las novamente à produção.

Com esse caminho, passaremos a viabilizar os compromissos de desmatamento zero por parte das cadeias de produção agropecuária, e poderemos cada vez mais desenvolver mecanismos de rastreabilidade e transparência para o meio rural.

Mas podemos ir além. Nós, consumidores, temos um poder de transformação que muitos sequer suspeitam. Nossos hábitos de consumo podem mudar as indústrias e influenciar o desenvolvimento de novas tecnologias. Foi por pressão do mercado que conseguimos banir o clorofluorcarbono (CFC), por muito tempo utilizado nas indústrias de refrigeração e ar condicionado, espumas, aerossóis, extintores de incêndio. E com isso, recuperamos nada menos do que a Camada de Ozônio, antes depauperada pela emissão desses gases.

Por que, então, não fazemos o mesmo em relação aos alimentos? Informações corretas sobre procedência, qualidade e forma de produção permitem melhor escolhas, ou pelo menos uma maior consciência de nosso impacto. Os grandes compradores internacionais de commodities agrícolas já se movimentam para cobrar que os produtos venham livres de desmatamento ao longo de suas cadeias produtivas. Isso é resultado da pressão dos consumidores.

Assim como existe uma rotulagem para os valores nutricionais, já há padrões estabelecidos para a rotulagem ambiental, só que isso ainda é pouco utilizado. Precisamos ser mais exigentes em relação a transparência quanto a produção e origem dos alimentos. E isso se faz cobrando de quem compra e vende os produtos agrícolas e pecuários. Com essa chave na mão, poderemos abrir as portas de um cenário em que a produção de alimentos seja aliada da conservação do meio ambiente. E não mais um fator de degradação da natureza.

Baseado na reportagem de http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/cerrado/noticias

Rezadeiras, benzedeiras, curandeiras devoção no interior do Brasil

“No interior do Brasil, as rezadeiras são líderes muito respeitadas nas comunidades onde vivem.

“Rezadeiras, curandeiras, benzedeiras. Os nomes variam, mas a importância é a mesma para as pessoas que as procuram em busca de uma oração para a cura de algum mal. Em comum, além da humildade e do olhar doce, as rezadeiras têm alguns modos de orar, benzendo os pacientes com as mãos ou com plantas, em uma linguagem própria, uma espécie de cochicho ininteligível que mantêm com Deus ou com os(as) santos(as) que são devotas.

As rezadeiras são líderes naturais nas comunidades onde vivem. São respeitadas, principalmente pelas mães que, na maioria das vezes, optam por suas rezas para curar os filhos das doenças. Comum recorrer à flora sertaneja  para fazer lambedores, purgantes, emplastros, pomadas e garrafadas, acompanhadas de gestos e orações, rezas, benditos, novenas, ofícios, terços, rosários, entre outros recursos de cunho religioso.

Os rituais das rezadeiras são próximos do que os padres entendiam como doutrina espírita. Por isso, as benzedeiras, por muito tempo, isoladas do convívio com a Igreja Católica devido a interpretação de fenômenos de mediunidade. Com o passar do tempo, foram adquirindo espaço na sociedade e hoje estão presentes em grande parte das comunidades, como uma alternativa de apoio, das benditas  rezadeiras.

Essas mulheres fazem questão de declarar que não utilizam seus dons para realização de “pedidos malignos”. No máximo, elas pressentem os “enguiços”, que seriam um mal desejado a alguém, mais conhecido por todos como “mau olhado”.

Sempre lembradas por pessoas de classes sociais diversificadas, que em pleno século XXI, apesar de todo avanço da medicina, ainda acreditam primeiramente nesses “anjos de Deus”, as rezadeiras não acreditam que o ofício acabe um dia.

“Enquanto a medicina e a alopatia curam as doenças do corpo, as rezas curam as doenças da alma”, é o dito popular. “Como curar uma espinhela caída, um mau olhado, com paracetamol e ácidos acetilsalicílicos? Qual o médico que, em seu consultório, teria uma medicação para estes males?”, são questionamentos permanentes.

No interior do Brasil, ainda é possível encontrar mulheres conhecidas por livrar muita gente de males que às vezes a medicina desconhece. O que mais elas rezam é “espinhela caída”. Segundo as rezadeiras, trata-se de uma dor provocada pelo deslocamento de uma cartilagem localizada na “boca do estômago” (saída do esôfago para o estômago).

Outros males mais comuns curados pelas rezadeiras são o mau olhado, cobreiro, íngua, quebranto e erisipela. Em alguns casos, o “paciente” tem de voltar mais vezes para que a reza fique completa. Os chás e banhos de ervas medicinais também são receitados.

O conhecimento é repassado, principalmente, de mãe pra filha.   Geralmente, senhoras de fala mansa e andar compassado que adoram uma boa conversa e isso fez com que ela fosse uma das escolhidas para protagonizar os segmentos  de rezadeiras, benzedeiras, curandeiras.

As legislações nacionais e internacionais precisam proteger os conhecimentos tradicionais e garantir às comunidades locais alguma forma de repartição dos benefícios oriundos da biodiversidade.

Fonte: Revista Brasileiros com trecho do livro alumeia e óia pros encamtamentos dos cerratenses ( FMB)

 

Trabalho e esperança no sertão mineiro

Buriti, cajuzinho-do-mato e cagaita são transformados em doces. Agricultores cuidam para que as colheitas sejam sempre fartas.

Selvagem é outra região de cerrado nativo, que cresce e dá frutos o ano inteiro. O Parque Grande Sertão Veredas fica no interior de Minas Gerais.

cagaiteira

florada da cagaita( Eugenia dysenterica)

Povo destemido esse que mora no interior. Matéria-prima tem em abundância, é só entrar no mato encontrar uma vereda onde nascem os buritis. Eles pegam os frutos que caíram no chão porque já estão maduros. Os pequenos produtores do cerrado mineiro descobriram que preservar a natureza pode ser um grande negócio.

A natureza é generosa. Na simplicidade do sertanejo, está a dica para ter sempre colheitas fartas.

“Se tem três cachos, tiramos dois e deixamos um para os bichinhos”, ensina o agricultor João Cardoso dos Santos.

“A partir do momento que o agricultor começa a ter sua fonte de renda extraída do cerrado não precisa falar para ninguém que tem que preservar – ele mesmo preserva porque sabe que está dando sustentabilidade, gerando renda e convivendo com uma agricultura equilibrada”, explica o presidente da cooperativa, José Correia Quintal.

O agricultor Júlio Oliveira dos Santos já passou dos 50 anos. Sobe na palmeira com uma agilidade de dar inveja. Lá em cima, escolhe os frutos.

“Eu não imaginava que tinha tanta riqueza na minha propriedade. Sabia que tinha utilidade, que a gente comia a fruta. Agora estamos vendo que a coisa está melhorando. Nunca vou me desfazer da minha terra”, diz Júlio.

Manter o cerrado em pé garante um dinheirinho a mais o ano todo: “Eu ficava a base da roça, a base de colher e aí tinha que sair para trabalhar lá fora. Agora não. Com o buriti eu ganho R$ 25 por dia porque a cooperativa compra toda a quantia de óleo e polpa que chegar”, conta Júlio.

Na língua tupi, buriti significa árvore da vida. Não é para menos: madeira, palha, fruto, tudo se aproveita.

Um mutirão é organizado para retirar a polpa. “O buriti é bastante cremoso, ele é rico em óleo e tem um óleo muito colorado, tipo ucucum”, explica o presidente da cooperativa.

A massa é diluída em água. Um líquido amarelo vai para o fogo. O óleo do buriti é usado na culinária pelos sertanejos. Rico em vitamina A, também é aplicado como cicatrizante.

As mulheres preparam a polpa para os doces. Em uma peneira rudimentar, elas rolam a fruta e retiram a carne amarela.

“Fazemos farinha, geleia, doce”, conta a agricultora Hilda Antônia Marques.

O sabor do cerrado conquistou o gosto dos brasileiros. Difícil resistir. Mas que gosto tem? Uma mistura de manga com alguma outra coisa que eu não sei o que é.

“Tem gostinho de quero mais”, brinca a agricultora.

Esse é o verdadeiro ouro do cerrado! As árvores tortas também guardam as suas delícias.

“Quando eu fiz a casa, era um broto. Não cortei porque eu sabia que ia precisar dele”, lembra Júlio.

“Não pode comer muito. Se tiver amarelinha, ela desidrata, porque solta o intestino”, alerta o agricultor.

Daí o nome: cagaita!

“Ao longo do ano, temos buriti, cagaita, cajuzinho-do-mato, pequi e cabeça”, conta Júlio.

A época da cagaita já está no fim. Os frutos ficam lá em cima. Seu João foi buscar, mas o galho não suportou o peso. Tudo acabou bem, ninguém se feriu.

Uma vez por semana o pessoal da cooperativa recolhe os frutos de casa em casa. Aí, é processar, embalar. Os cajuzinhos vão virar doce. A cagaita também. A polpa de buriti é usada para fazer geleia. Os lucros são repartidos com os agricultores.

“Compramos por quilo. O cajuzinho custa entre R$ 0,80 e R$ 1. A cagaita sai por R$ 1”, explica a gerente da cooperativa, Valéria Aparecida da Silva.

Na cidade de Chapada Gaúcha, em Minas Gerais, os sabores do cerrado estão na merenda escolar. A cooperativa fornece os produtos. A criançada gostou. São cores, sabores, tesouros brasileiros que brotam no cerrado.

“Quando olho o cerrado preservado, enxergo dinheiro puro. Estamos muito satisfeitos com nosso cerrado”, diz João dos Santos.

GELEIA DE CAGAITA*

Ingredientes:

2,5kg de polpa de cagaita
1 colher (sobremesa) de pectina
400g de açúcar

Modo de Fazer:  Levar ao fogo a polpa, o açúcar e a pectina, mexendo até o ponto de fio reto. Acondicionar em frescas de vidro de boca larga, previamente esterilizados.

Obs.: Para verificar o ponto certo, pegar um pouco da geleia na colher levantar e derramar. Se cortar, o fio está no ponto.

*Receita de Vitória Cardoso Santos.

DOCE BURITI**

1 prato de buriti fresco
1 prato de açúcar

Modo de Fazer:  Levar a massa no fogo (não colocar água) e mexer sem parar. Quando desgrudar do fundo da panela e ficar escuro, retirar. Espalhar em tabuleiro e cortar em pedaços.

**Receita de Ambrozina Barbosa Neves

reportagem do http://g1.globo.com/globoreporter

FRUTAS DO CERRADO

Buriti, cajuzinho-do-mato e cagaita são transformados em doces. Agricultores cuidam para que as colheitas sejam sempre fartas.

Selvagem é outra região de cerrado nativo, que cresce e dá frutos o ano inteiro. O Parque Grande Sertão Veredas fica no interior de Minas Gerais.

Povo destemido esse que mora no interior. Matéria-prima tem em abundância, é só entrar no mato encontrar uma vereda onde nascem os buritis. Eles pegam os frutos que caíram no chão porque já estão maduros. Os pequenos produtores do cerrado mineiro descobriram que preservar a natureza pode ser um grande negócio.

A natureza é generosa. Na simplicidade do sertanejo, está a dica para ter sempre colheitas fartas.

“Se tem três cachos, tiramos dois e deixamos um para os bichinhos”, ensina o agricultor João Cardoso dos Santos.

“A partir do momento que o agricultor começa a ter sua fonte de renda extraída do cerrado não precisa falar para ninguém que tem que preservar – ele mesmo preserva porque sabe que está dando sustentabilidade, gerando renda e convivendo com uma agricultura equilibrada”, explica o presidente da cooperativa, José Correia Quintal.

veredas do vão 1

Veredas do vão com buritis- Grandes Sertões Veredas- MG

O agricultor Júlio Oliveira dos Santos já passou dos 50 anos. Sobe na palmeira com uma agilidade de dar inveja. Lá em cima, escolhe os frutos.

“Eu não imaginava que tinha tanta riqueza na minha propriedade. Sabia que tinha utilidade, que a gente comia a fruta. Agora estamos vendo que a coisa está melhorando. Nunca vou me desfazer da minha terra”, diz Júlio.

Manter o cerrado em pé garante um dinheirinho a mais o ano todo: “Eu ficava a base da roça, a base de colher e aí tinha que sair para trabalhar lá fora. Agora não. Com o buriti eu ganho R$ 25 por dia porque a cooperativa compra toda a quantia de óleo e polpa que chegar”, conta Júlio.

Na língua tupi, buriti significa árvore da vida. Não é para menos: madeira, palha, fruto, tudo se aproveita.

Um mutirão é organizado para retirar a polpa. “O buriti é bastante cremoso, ele é rico em óleo e tem um óleo muito colorado, tipo ucucum”, explica o presidente da cooperativa.

A massa é diluída em água. Um líquido amarelo vai para o fogo. O óleo do buriti é usado na culinária pelos sertanejos. Rico em vitamina A, também é aplicado como cicatrizante.

As mulheres preparam a polpa para os doces. Em uma peneira rudimentar, elas rolam a fruta e retiram a carne amarela.

“Fazemos farinha, geleia, doce”, conta a agricultora Hilda Antônia Marques.

O sabor do cerrado conquistou o gosto dos brasileiros. Difícil resistir. Mas que gosto tem? Uma mistura de manga com alguma outra coisa que eu não sei o que é.

“Tem gostinho de quero mais”, brinca a agricultora.

Esse é o verdadeiro ouro do cerrado! As árvores tortas também guardam as suas delícias.

“Quando eu fiz a casa, era um broto. Não cortei porque eu sabia que ia precisar dele”, lembra Júlio.

“Não pode comer muito. Se tiver amarelinha, ela desidrata, porque solta o intestino”, alerta o agricultor.

Daí o nome: cagaita!

“Ao longo do ano, temos buriti, cagaita, cajuzinho-do-mato, pequi e cabeça”, conta Júlio.

A época da cagaita já está no fim. Os frutos ficam lá em cima. Seu João foi buscar, mas o galho não suportou o peso. Tudo acabou bem, ninguém se feriu.

Uma vez por semana o pessoal da cooperativa recolhe os frutos de casa em casa. Aí, é processar, embalar. Os cajuzinhos vão virar doce. A cagaita também. A polpa de buriti é usada para fazer geleia. Os lucros são repartidos com os agricultores.

“Compramos por quilo. O cajuzinho custa entre R$ 0,80 e R$ 1. A cagaita sai por R$ 1”, explica a gerente da cooperativa, Valéria Aparecida da Silva.

Na cidade de Chapada Gaúcha, em Minas Gerais, os sabores do cerrado estão na merenda escolar. A cooperativa fornece os produtos. A criançada gostou. São cores, sabores, tesouros brasileiros que brotam no cerrado.

“Quando olho o cerrado preservado, enxergo dinheiro puro. Estamos muito satisfeitos com nosso cerrado”, diz João dos Santos.

 

GELEIA DE CAGAITA*

Ingredientes:

2,5kg de polpa de cagaita
1 colher (sobremesa) de pectina
400g de açúcar

Modo de Fazer:

Levar ao fogo a polpa, o açúcar e a pectina, mexendo até o ponto de fio reto. Acondicionar em frescas de vidro de boca larga, previamente esterilizados.

Obs.: Para verificar o ponto certo, pegar um pouco da geleia na colher levantar e derramar. Se cortar, o fio está no ponto.

*Receita de Vitória Cardoso Santos.

DOCE BURITI**

1 prato de buriti fresco
1 prato de açúcar

Modo de Fazer:

Levar a massa no fogo (não colocar água) e mexer sem parar. Quando desgrudar do fundo da panela e ficar escuro, retirar. Espalhar em tabuleiro e cortar em pedaços.

**Receita de Ambrozina Barbosa Neves

reportagem do http://g1.globo.com/globoreporter

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